terça-feira, 28 de abril de 2015

Voltei!!!

Olá, irmãos e amigos,

Graça e paz!

Depois de um LONGO período sem publicações, resolvi voltar a publicar neste pequeno e humilde blog.
A partir de amanhã, permitindo o Senhor, estaremos disponibilizando aqui algumas de nossos estudos, de nossas análises e, por que não dizer, de nossas ideias.
Obrigado a você, que costuma ler nossas publicações!

Deus abençoe sua vida rica e abundantemente!!!

sábado, 29 de junho de 2013

CRISTO TRIUNFANTE PELA CRUZ

Texto Bíblico básico: Cl 2:6-15


INTRODUÇÃO

O capítulo segundo da Carta de Paulo aos cristãos de Colossos dá início à argumentação do apóstolo contra as heresias que lhe deram origem. Assim é que, depois de adverti-los para que não se deixassem levar pelo engano de raciocínios falazes (ou "palavras persuasivas", cf. Cl 2:4) e aludir à verificação da boa ordem e firmeza da fé em Cristo demonstrada pelos colossenses (cf. Cl 2:5), apresenta os argumentos em contestação às heresias do judaísmo-gnosticismo. Vejamos, portanto, alguns aspectos fundamentais apresentados no texto em questão.
Nos versículos seis e sete Paulo apresenta a atitude mental que evita a queda de um cristão no erro. Segundo o apóstolo, esta atitude está baseada de forma principal e especial no triunfo de Cristo na Cruz. Vejamos, então, os principais aspectos trazidos por esta vitória do Senhor.


1. ANDAI EM ESPÍRITO

Como os cristãos gálatas (cf. Gl 3:1-5), alguns dos cristãos colossenses estavam enamorados de certas especulações filosófico-religiosas (cf. Cl 1:16; 2:8, 16-23). Assim sendo, Paulo não expressa aqui dúvida sobre a salvação deles; mostra-lhes, no entanto, a necessidade de continuarem nEle (cf. Cl 1:21-22).
Desde que Jesus Cristo é preeminente sobre tudo, a Imagem de Deus, O Criador de tudo, não deveria haver o mínimo desejo que fosse de se procurar outros mediadores. Se foi necessária a Pessoa dEle para libertá-los da perdição eterna, Ele também é necessário para guiar e dirigir o cristão nas escolhas diárias que a vida lhe impõe (cf. Jo 6:39: Rm 8:35-39). Por isso, somos ordenados de forma enfática a andar nEle. O verbo andar que aparece aqui, na língua grega, é peripate,w peripatéo, cujas principais acepções são: "caminhar", "fazer o próprio caminho", ainda, "progredir", "fazer uso das oportunidades", "viver", "regular a própria vida".
Aliás, é bom que nos lembremos aqui da recomendação do salmista: o varão bem-aventurado, ditoso, feliz, é aquele "... que não anda segundo o conselho dos ímpios..." (Sl 1:1, na ARC). Ou seja, o homem feliz é aquele que pauta sua vida em conformidade com o Senhor e não segundo o mundo e seus conceitos e valores. Isto fica ainda mais claro em textos como Cl 2:8: "Tenham cuidado para que ninguém os torne escravos por meio de argumentos sem valor, que vêm da sabedoria humana. Essas coisas vêm dos ensinamentos de criaturas humanas e dos espíritos que dominam o Universo e não de Cristo." (NTLH, com grifos nossos). Ainda Rm 12:2: "Não vivam como vivem as pessoas deste mundo, mas deixem que Deus os transforme por meio de uma completa mudança da mente de vocês. Assim vocês conhecerão a vontade de Deus, isto é, aquilo que é bom, perfeito e agradável a Ele." (NTLH).


2. RADICADOS EM CRISTO

Outro verbete-chave neste texto de Colossenses é o verbo "radicar" (no grego, r`izo,w rhizóo, "fazer surgir raiz", "fortalecer com raízes", "tornar firme", "fixar", "estabelecer". Esse verbo é usado para uma pessoa ou coisa que esteja totalmente fundamentada. Como uma árvore firmemente enraizada, firmada, fincada). Radicar, é bom que lembremos, é enraizar, fincar, arraigar!
Esta realidade é muitíssimo importante numa vida cristã debaixo da direção do Senhor, pois uma árvore deve crescer para dentro da terra antes de subir. Ou seja, deve haver um firme fundamento e contínua fonte de vida. Mais uma vez queremos trazer à memória esta maravilhosa verdade expressa pelo salmista. Ele diz que o homem feliz, bem-aventurado é "... como a árvore plantada junto a ribeiros de águas, a qual dá o seu fruto na estação própria, e cujas folhas não caem, e tudo quanto fizer prosperará." (Sl 1:3, na ARC).
Portanto, "radicados" ou "arraigados", significa ter raízes profundas em Cristo, o que dará firmeza constante à vida cristã.


3. EDIFICADOS EM CRISTO

Outro verbo que aparece em Cl 2:7 "edificar" (no grego, o verbo é evpoikodome,w epoikodoméo, "edificar sobre", formado da preposição evpi, epí, "sobre", "acima", "em cima" e oivkodome,w oikodoméo, "edificar", "construir uma casa", "estabelecer", "fundar".
Este verbo está relacionado com o verbo anterior e descreve a situação conseqüente da que por ele é descrita. A edificação em Cristo torna-se notória quando bem radicados em Cristo. O salmista também descreve esse aspecto da vida cristã quando afirma que o homem bem-aventurado, ditoso, feliz, é aquele que “... dá o seu fruto na estação própria, e cujas folhas não caem... " (Sl 1:3, na ARC).


4. CONFIRMADOS NA FÉ EM CRISTO

O resultado natural do comportamento do cristão nos termos dos itens anteriores é a manifestação da sua fé inabalável e firmada de uma vez por todas; a conduta baseada nela evolui constantemente. Para fazer alusão a esse estágio, Paulo usa o verbo bebaio,w bebaióo, cujas principais acepções são: "comprovar", "estabelecer", "confirmar" e "assegurar". Isto significa que uma vida cristã bem sucedida é aquela que está firmada, ou melhor, confirmada, assegurada, estabelecida em Cristo Jesus!
A exemplo das características anteriores, o salmista também descreve esse aspecto da vida cristã, quando informa que o homem ditoso e bem-sucedido tem como marca o fato de que “... tudo quanto ele faz será bem sucedido” (Salmo 1:3, na ARA).


5. INSTRUÍDOS EM CRISTO

Não há dúvida que a instrução no Senhor é essencial para essa vitoriosa experiência cristã. Muitos desvios da verdade (heresia ou apostasia) resultam da falha nesse item. Paulo mostra a importância da instrução do Senhor para não sermos enganados com raciocínios falazes. Ele diz: "... assim como fostes ensinados, crescendo em ação de graças." (Cl 2:7).
Neste verso encontramos o verbo dida,skw didásko, "ensinar", "instruir", "explicar", "expor", cuja forma verbal ocorre como evdida,cqhte edidáchthete, portanto na voz passiva, ou seja, "ser ensinado", "ser instruído". Isto significa que para uma vida cristã bem sucedida é necessário que permaneçamos firmados naquilo que fomos ensinados.
Também a este respeito nos legou o salmista informação preciosa. Ele diz que essa era a atitude do homem feliz: “Antes o seu prazer está na Lei do Senhor e na Sua Lei medita de dia e de noite” (Sl 1:2).


CONCLUSÃO


Essas cinco coisas ou cinco atitudes ou cinco verdades são suficientes para nos guardar da tentação de nos afastarmos do Evangelho e levam-nos ao crescimento “em ações de graças” (cf. Cl 2:7).

quinta-feira, 18 de abril de 2013


VIVENDO DEBAIXO DA DIREÇÃO DE DEUS

Texto Bíblico básico: Cl 1:3-12


INTRODUÇÃO

            No presente estudo, estaremos adentrando de forma prática no conteúdo maravilhoso da Carta aos Colossenses. Neste primeiro momento, nossa atenção estará focada na vida debaixo da direção de Deus, assunto que o apóstolo Paulo desenvolve de forma ampla no longo texto que vai do verso três ao verso vinte e nove do primeiro capítulo.
            Neste texto, movido pelo Espírito Santo, Paulo demonstra que para se viver debaixo de graça de Deus é preciso certa preparação. Ele nos mostra que esta preparação consiste em certos elementos que precisam ser observados, sob pena de não se viver efetivamente debaixo da graça de Deus!


1. COMPREENDENDO OS NÍVEIS DA VIDA CRISTÃ

Nos versos três a doze do primeiro capítulo de Colossenses, Paulo revela-nos, segundo a direção do Espírito, que a compreensão da vida cristã se desenvolve em dois níveis ou áreas de conhecimento.
Para se viver debaixo da direção de Deus, é necessário, em primeiro lugar, conhecer a graça de Deus. Em que consiste esse conhecimento? Como esse conhecimento se manifesta? Como ele ocorre? O que ele produz? Quais são suas exigências? Paulo nos apresenta estas respostas no texto que vai do verso três ao verso de número oito do primeiro capítulo de Colossenses.
Em segundo lugar, para se viver debaixo da direção de Deus é preciso conhecer a Sua vontade. No entanto, como esse conhecimento da vontade de Deus é alcançado? Qual o papel do Espírito Santo nesse conhecimento? O que ele nos proporciona? Para quê o conhecimento da vontade de Deus nos habilita? Como podemos ser fortalecidos para suportarmos as provações com paciência, a fim de vivermos debaixo da direção de Deus? Estas e outras questões nos são respondidas por Paulo, segundo o mover do Espírito, nos versos nove a doze do primeiro capítulo de sua Carta à Igreja em Colossos.
Assim sendo, vejamos, então, em que consistem estes conhecimentos e de que forma podemos encontrar as respostas às intrigantes perguntas sugeridas nesta parte introdutória.

a) O conhecimento da graça de Deus (versos 3-8).
Este é o primeiro nível ou primeira área de conhecimento para que se possa viver debaixo da direção de Deus: o conhecimento da graça de Deus,
Mas, o que é conhecer a graça de Deus? Este é o tema desenvolvido nos versos três a oito. Neste texto, Paulo nos mostra de que forma o conhecimento da graça de Deus ocorre na vida do cristão. Segundo ele, esse conhecimento ocorre na medida em que desenvolvemos a fé em Jesus e o amor ao Senhor. Vejamos o que ele diz: "Damos sempre graças a Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, quando oramos por vós, desde que ouvimos da vossa fé em Cristo Jesus e do amor que tendes para com todos os santos." (Cl 1:3-4, na ARA, com grifos nossos). Assim, em conformidade com o ensino de Paulo, o conhecimento da graça de Deus se manifesta por meio da fé no Senhor e do amor a Deus e aos irmãos.
Paulo amplia nossa visão, demonstrando que este conhecimento ocorre na medida em que a verdadeira e esperançosa mensagem do Evangelho é acolhida no coração daquele que a ouve. É o que nos é apresentado no verso cinco: "Por causa da esperança que vos está reservada nos céus, da qual já, antes, ouvistes pela Palavra da Verdade do Evangelho." (Cl 1:5, na ARC).
Outra verdade que podemos encontrar neste texto da Carta aos Colossenses é aquela que nos revela que além de trazer muitas bênçãos para o cristão, o conhecimento da graça de Deus o impulsiona a compartilhar a mensagem de salvação aos perdidos: "Que já chegou a vós, como também está em todo o mundo; e já vai frutificando, como também entre vós, desde o dia em que ouvistes e conhecestes a graça de Deus em Verdade." (Cl 1:6, na ARC, com grifos nossos). Portanto, aumenta à medida que compartilhamos!
Ademais, ao ser transmitido a outros, este conhecimento da graça de Deus traz consigo uma exigência fundamental: a fidelidade a Jesus Cristo por parte de quem O anuncia. Vejamos as palavras do apóstolo: "Segundo aprendestes de Epafras, nosso amado conservo, que é por vós fiel ministro de Cristo, o qual também nos declarou o vosso amor no Espírito." (Cl 1:7-8, na TB, com grifos nossos).

b) O conhecimento da vontade de Deus (9-12).
Tendo visto de que forma podemos conhecer a graça de Deus, vejamos, agora, a exposição paulina acerca da vontade de Deus.
Em primeiro lugar, como o conhecimento da vontade de Deus pode ser alcançado? Paulo nos mostra que a vontade de Deus somente pode ser conhecida através da sabedoria e compreensão que o Espírito Santo nos dá: "Por esse motivo, desde o dia em que ficamos sabendo de tudo isso, nunca paramos de orar em favor de vocês. Pedimos a Deus que encha vocês com o conhecimento da Sua vontade e com toda a sabedoria e compreensão que o Espírito de Deus dá." (Cl 1:9, na NTLH, com grifos nossos). Ou seja, a vontade de Deus não é simplesmente aquilo que eu penso, mas aquilo que Deus pensa e que nos é revelado por Seu Espírito!
Além disto, Paulo nos revela, ainda, que esse conhecimento nos proporciona a possibilidade de vivermos de acordo com os propósitos divinos e dessa forma conseguiremos agradá-lO: "A fim de viverdes de modo digno do Senhor, para o Seu inteiro agrado." (Cl 1:10a. na ARA, com grifos nossos). Isto significa que somente conhecendo a vontade do Senhor por meio de Seu Espírito é que teremos condições de viver para agradá-lO!
Paulo nos mostra também que o conhecimento da vontade de Deus nos habilita a fazermos todo tipo de boas ações e elas nos ajudarão a conhecer cada vez mais o Senhor. Veja a declaração expressa na parte "b" de Cl 1:10: "Vocês vão fazer todo tipo de boas ações e também vão conhecer a Deus cada vez mais." (NTLH).
Outra verdade presente no texto que estamos analisando é aquele contido no décimo primeiro versículo, no qual somos ensinados que o conhecimento da vontade de Deus e a intercessão nos fortalecem e nos capacitam a suportar as provações com paciência: "Sendo fortalecidos com toda a força, segundo o poder da Sua glória, em toda a fortaleza e longanimidade." (Cl 1:11, na TB, com grifos nossos).
Finalmente, o apóstolo Paulo nos mostra que o fortalecimento que provém de Deus nos conduz à gratidão ao Senhor que nos fez Seus herdeiros: "E agradeçam, com alegria, ao Pai, que os tornou capazes de participar daquilo que ele guardou no Reino da luz para o Seu povo." (Cl 1:12, na NTLH, com grifos nossos).


CONCLUSÃO

            Uma vida debaixo da direção de Deus é tudo aquilo que existe de mais especial e singular. Essa direção nos capacita a conhecer a vontade de Deus e, sobretudo, a realizar essa vontade no nosso dia-a-dia.
            Quantos problemas poderiam ser evitados e quantas dores poderiam ser poupadas se nos dispuséssemos sempre a compreender que Deus tem para nossas vidas um plano especial que está diretamente associado com Sua vontade que é boa, perfeita e agradável (cf. Rm 12:2).

segunda-feira, 1 de abril de 2013


BATISMO COM FOGO?!

1. INTRODUÇÃO

Vamos iniciar nosso estudo, analisando o famoso (e controvertido) texto de Mateus onde encontramos João, o Batista, declarando algo que ainda em nossos dias ressoa pelos ares e ecoam nos corações:

Yo, a la verdad, os bautizo en agua para arrepentimiento;
pero el que viene después de mí, cuyo calzado no soy digno de llevar, 
es más poderoso que yo.
El os bautizará en el Espíritu Santo y fuego.
(Mateus 3:11, na Versão Reina-Valera)

"Eu vos batizo com água, para arrependimento;
mas aquele que vem depois de mim é mais poderoso do que eu,
cujas sandálias não sou digno de levar.
Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo."
(Mateus 3:11, na ARA)

"E eu, em verdade, vos batizo com água, para o arrependimento;
mas aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu;
não sou digno de levar as suas sandálias;
ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo."
(Mateus 3:11, na ARC)


2.    CONSIDERAÇÕES INICIAIS

        No texto de Mateus 3:11, que ora pretendemos analisar, existem verdades subjacentes que jamais deveríamos olvidar.
        Por este motivo, no presente trabalho pretendemos investigar o texto em questão, com o propósito de entendermos melhor e corretamente o seu sentido.
        Observemos, inicialmente, que a declaração de João, o Batista, está diretamente envolvida com o verbo grego baptizo. Este verbo aparece 76 vezes nas páginas no NT. Seus significados básicos são: "imergir repetidamente"; "imergir, para submergir (de recipientes afundados)"; "limpar imergindo ou submergindo"; "lavar, para tornar limpo com água", entre outros.
        No grego clássico, o exemplo mais claro que demonstra o significado de baptizo é um texto do poeta e médico grego Nicander que viveu em aproximadamente 200 a.C. Trata-se de uma receita para se fazer pepinos em conserva. Nicander ensina que para fazer um pepino em conserva, deveria o legume ser imerso (baptos) em água fervente e em seguida mergulhado (baptizo) na solução de vinagre. Ambos os verbos (baptos e baptizo) nos interessam. Mas, observemos que enquanto o primeiro oferece-nos a idéia de um ato temporário, o segundo produz uma mudança permanente. Ou seja, a diferença básica entre eles é a que diz respeito à intensidade.
Quando usado no NT, a palavra baptizo recorre com muito mais  
freqüência à nossa união e identificação com Cristo (e.g. Mc 16:16). Ou seja, segundo Cristo, o mero consentimento intelectual não é suficiente para a salvação.  É necessário que haja uma união com Ele, uma real mudança, como o legume para o pepino em conserva!


3. BATISMO COM FOGO?

Ele vos batizará com o Espírito Santo, e com fogo.
O que, realmente, significa esta assertiva?
Com toda certeza, ao longo da história da Igreja, esta frase tem sido alvo de acirrados debates.
Para alguns, João estava se referindo aos terríveis julgamentos que deveriam ser infringidos por Jesus à nação judaica, quando Ele os deveria reprovar pelo pecado de O terem rejeitado. Os que assim argumentam, o fazem baseados em dois textos do AT: "E sairão e verão os corpos mortos dos homens que prevaricaram contra mim; porque o seu verme nunca morrerá, nem o seu fogo se apagará; e serão um horror para toda a carne" (Is 66:24, na ARA) e Ml 3:2,3, na mesma versão: "Mas quem suportará o dia da sua vinda? E quem subsistirá, quando ele aparecer? Porque ele será como o fogo do ourives e como o sabão dos lavandeiros. Assentar-se-á como derretedor e purificador de prata; purificará os filhos de Levi e os refinará como ouro e como prata; eles trarão ao Senhor justas ofertas".
No entanto, a interpretação mais plausível para a declaração ora analisada, sem dúvida alguma, é aquela que estabelece o relacionamento entre o que João declara aqui e o cumprimento desta declaração no Pentecostes. No texto inspirado, encontramos a declaração: "Cumprindo-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar; e, de repente, veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, e encheu toda a casa em que estavam assentados. E foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles. E todos foram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem". (At 2:1-4, na ARC).
É importante salientarmos, que das 421 ocorrências de “fogo” (versão ARC) nas páginas das Escrituras Sagradas, a maioria delas vincula o fogo como sinal visível da presença e do poder de Deus, embora, de fato, segundo a linguagem bíblica, o fogo também esteja associado á purificação (e.g. Mc 9:49).
No entanto, nas páginas do NT, o Espírito Santo está intimamente associado à idéia de fogo, como fica claramente demonstrado no texto de Atos 2, onde Lucas narra o episódio do Pentecostes.
Assim, podemos concluir que João, o Batista, ao referir-se ao batismo “com fogo”, sem dúvida alguma estava se referindo, inspirado pelo mesmo Espírito, àquela experiência poderosa, tremenda, transformadora, impulsionadora que ocorre na vida daquele que permite que o Espírito Santo o encha sem medida (cf. Jo 3:34). Existe aqui uma clara distinção entre ser batizado com o “Espírito Santo” e ser batizado também “com fogo”. Prova indubitável desta verdade, é que no texto grego de Mt 3:11 aparece a conjunção grega kai, que não significa apenas “e", mas que pode significar "também", "até mesmo", entre outros.  Portanto, este “batismo" pode ser definido como uma imersão profunda e tremenda na imensurável graça de Deus e no poder de Seu Espírito, que nos capacita a viver acima do trivial, que nos outorga poder extraordinário para testemunhar (cf. a expressão grega parresia, "coragem", "confiança", "ousadia"). É, por assim dizer, a concretização do vaticínio profético de Ezequiel:

"Depois disso, me fez voltar à entrada da casa,
e eis que saíam umas águas de debaixo do umbral da casa,
 para o oriente; porque a face da casa olhava para o oriente,
e as águas vinham de baixo, desde a banda direita da casa,
da banda do sul do altar. E ele me tirou pelo caminho da porta
do norte e me fez dar uma volta pelo caminho de fora, até a porta exterior, pelo caminho que olha para o oriente;
e eis que corriam umas águas desde a banda direita.
Saiu aquele homem para o oriente, tendo na mão um cordel de medir; e mediu mil côvados e me fez passar pelas águas,
águas que me davam pelos tornozelos.
E mediu mais mil e me fez passar pelas águas,
águas que me davam pelos joelhos;
e mediu mais mil e me fez passar pelas águas,
águas que me davam pelos lombos.
E mediu mais mil e era um ribeiro, que eu não podia atravessar, porque as águas eram profundas,
águas que se deviam passar a nado..." (Ez 47:1-5).
        
         Ao lermos o texto de At 2, podemos perceber, claramente, que na vida dos que estavam reunidos no cenáculo esta promessa cumpriu-se de forma maravilhosa: foram mergulhados no poder do Espírito de forma tão intensa que a reação de alguns dos que acorreram ao lugar em que estavam, foi a de concluírem imediatamente tratar-se de embriaguez, haja vista a "inundação" que invadira aqueles tímidos crentes agora revestidos de poder (cf. At 2:12-15)!
Resta-nos, finalmente, a recomendação de Paulo aos crentes de Éfeso:  "E não vos embriagueis com vinho, em que há contenda, mas enchei-vos do Espírito". (Ef 5:18).

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

A Glória da Segunda Casa


A GLÓRIA DA SEGUNDA CASA

Texto Bíblico Básico: Ageu 2:9

1. Pontos Salientes:
- Ageu (heb. Hagai), significa “Minha Festa”ou “Festivo”.
- O Livro foi escrito em 520 a.C.
- Ageu é o primeiro profeta pós-exílico; o 10º dos Profetas Menores.
- Um subsídio cronológico para o Livro de Ageu:
                        - 586 a.C. – destruição do Templo;
                        - 538 a.C. – ordem de retorno e reconstrução (Ciro);
                        - 536 a.C. – início da reconstrução;
                        - 530 a.C. – a reconstrução é interrompida;
                        - 520 a.C. – composição do Livro de Ageu;
                        - 516 a.C. – retomada da reconstrução.
- O Livro revela os perigos de uma perda de foco.
- Tem como grande objetivo a fixação (ou retomada) de prioridades.
- Ageu é o livro melhor datado do AT.
- O verbete “glória” (heb. kavod) aparece 65 vezes em Ageu.

2. Pontos Para Reflexão:
a) Em Ex 25:8, encontramos a ordem divina para a construção do Tabernáculo. O grande propósito de Deus era (e é) habitar no meio dos homens, ser o centro de nossa Historia e de nossas vidas.
b) O NT revela que o Templo apontava profeticamente para o Corpo de Jesus (cf. Jo 2:19,21).
c) Jesus é maior que o Templo (Mt 12:6).
d) Eis o Templo! (Ap 21:3).

sábado, 8 de dezembro de 2012

Dar Asas ou Criar Raízes?

Talvez um dos maiores desafios da paternidade (e por óbvio, da maternidade!) seja o equilíbrio entre uma educação recheada de afeto e permeada por limites. Ou seja, o que é mais importante: dar asas ou criar raízes?
Sabidamente, educar não é tarefa das mais fáceis. Afinal, nenhuma criança vem com manual de instruções, com uma receita pronta. E mais: na maioria das vezes nossas possibilidades como pais (e mães) são as nossas próprias bagagens como filhos...
No entanto, a Palavra de Deus nos apresenta alguns princípios que, com absoluta certeza, serão instrumentos poderosos para que nos saiamos bem nessa tarefa de tamanho desafio.
Para esta nossa abordagem, três palavras precisam ser analisadas: educar, afeto e limite. Vamos a elas!

1. Educar. No hebraico, temos o verbo hanak, cujas principais acepções são: "instruir", "exercitar", "treinar". É a palavra que aparece em Pv 22:5. No grego, seu equivalente é didáscho. Interessante notar que o verbo grego didáscho está associado com um "mestre" e seu "discípulo". Enquanto o "aluno" (sem dúvida, um termo pejorativo) aprende como aquilo que seu "professor" fala, um "discípulo" aprende com a vida de seu "mestre". Por mais incômodo que seja, precisamos manter em mente que nossos filhos aprendem muito mais com aquilo que fazemos do que com aquilo que falamos!

2. Afeto. A palavra ocorre na língua grega como splángnon, significando, basicamente "amor", "carinho", "afeição", "cuidado", mas principalmente "suporte". Trata-se, portanto, de um sentimento prático de apoio, de suporte. Não necessariamente aprovação descompromissada, mas apoio interessado. Um sentimento que se manifesta de maneira concreta quando dizemos "sim", mas que pode se revelar quando dizemos "não" ou "agora não"!

3. Limite. Essa palavra é chave para a busca do equilíbrio entre asas e raízes. Na língua grega, aparece como horothesía, ou seja "fixação (dos limites) da terra". Isto é, uma "fixação dos marcos divisórios". Educar é também fixar limites. Sem dúvida, que sejam limites baseados no amor, mas que não sejam ausentes sob o pretenso amor que tudo permite. Como alguém bem disse:  "educar nos limites não significa criar pessoas limitadas, e sim pessoas estruturadas".

Que o Senhor manifeste sobre nós Sua graça e misericórdia, a fim de que alcancemos o equilíbrio. Que possamos dar asas a nossos filhos; asas que lhes permitam alçar vôos de conquistas e realizações, mas que, sobretudo sejam vinculadas às raízes que lhes ensinarmos a construir. Raízes que estejam firmadas, sobretudo, na Raiz de Davi, o Filho Eterno de Deus, Jesus Cristo, o obediente filho de José e de Maria!

quarta-feira, 11 de julho de 2012

PHILÉO OU AGAPÁO?
UMA ANÁLISE DE JO 21:15-17

INTRODUÇÃO
O diálogo de Jesus com Pedro descrito no vigésimo primeiro capítulo de João tem sido alvo de dúvidas e questionamentos, principalmente no que tange à utilização ou não de termos originais distintos para diferenciar o amor, a que Jesus Se referiu ao questionar Pedro. Para melhor aproveitamento deste nosso estudo, vamos analisar o texto em duas versões, a ACF, de 1753 e a KJV, de 1611.

Jo 21:15-17, na ACF (com grifos nossos): 15 E, depois de terem jantado, disse Jesus a Simão Pedro: Simão, filho de Jonas, amas-me mais do que estes? E ele respondeu: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe: Apascenta os meus cordeiros. 16 Tornou a dizer-lhe segunda vez: Simão, filho de Jonas, amas-me? Disse-lhe: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe: Apascenta as minhas ovelhas. 17 Disse-lhe terceira vez: Simão, filho de Jonas, amas-me? Simão entristeceu-se por lhe ter dito terceira vez: Amas-me? E disse-lhe: Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que eu te amo. Jesus disse-lhe: Apascenta as minhas ovelhas.


Jo 21:15-17, na KJV (grifos nossos): 15 So when they had dined, Jesus saith to Simon Peter, Simon, son of Jonas, lovest thou me more than these? He saith unto him, Yea, Lord; thou knowest that I love thee. He saith unto him, Feed my lambs. 16 He saith to him again the second time, Simon, son of Jonas, lovest thou me? He saith unto him, Yea, Lord; thou knowest that I love thee. He saith unto him, Feed my sheep. 17 He saith unto him the third time, Simon, son of Jonas, lovest thou me? Peter was grieved because he said unto him the third time, Lovest thou me? And he said unto him, Lord, thou knowest all things; thou knowest that I love thee. Jesus saith unto him, Feed my sheep.


PRELIMINARES
Como podemos observar, tanto a versão de João Ferreira de Almeida como a King James Version não fizeram qualquer distinção entre os verbos gregos. No entanto, ao analisarmos os mesmos no original grego do NT, observamos que nas duas primeiras vezes que Jesus pergunta a Pedro: “Amas-me?”, o grego traz agapas me, enquanto que as respostas de Pedro, desde a primeira pergunta, foram philo se. No entanto, quando Jesus pergunta pela terceira vez, “Amas-me?”, encontramos no original grego a ocorrência de philei me, ao que Pedro responde philo se. Desta forma, muita conjectura tem surgido em torno desta situação, gerando inúmeras controvérsias, principalmente pelo fato de que, se por um lado agapas, do verbo agapáo, tenha a conotação de “amor profundo”, “amar ternamente”; phileis, do verbo philéo tem o sentido de “ter simpatia”, “gostar”. No entanto, munindo-nos de uma boa concordância de grego, poderemos observar que os verbos philéo e agapáo são usados como sinônimos nas páginas do Novo Testamento grego. Portanto, a questão se há alguma diferença entre agapáo e philéo no Novo Testamento poderá ser resolvida analisando-se, por exemplo, o Quarto Evangelho, pois para João, parece que não havia qualquer diferença entre estes verbos. Basta notar que agapáo ocorre 37 vezes em João: “Deus amou o mundo de tal maneira” (Jo 3:16); “Jesus amava Marta, a irmã dela e Lázaro” (Jo 11:5); “Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros. Como Eu vos amei, amai-vos também uns aos outros” (Jo 13:34). Nota-se, pois, que o uso de agapáo reflete o amor de Deus pelo mundo, o amor de Jesus por Lázaro e suas irmãs, o amor de Jesus pelos discípulos e o amor que devemos ter uns para com os outros. Entretanto, de igual modo philéo é usado por João: “O Pai ama o Filho” (Jo 5:20); “Senhor, aquele a quem amas está doente” (Jo 11:3); “pois o próprio Pai vos ama porque Me amastes” (Jo 16:27); “outro discípulo, que Jesus amava” (Jo 20:2). Além disto, no restante do Novo Testamento agapáo é normalmente traduzido como "amar". Philéo algumas vezes é traduzido como "gostar" (de fazer algo) – cf. Mt 6:5; 23:6; Lc 20:46. O uso esquecido de philéo é aquele visto em Mt 26:48, Mc 14:44 e Lc 22:47. Nesses textos philéo significa "beijar". As três ocorrências se referem ao beijo de Judas em Cristo. No mais, não há nenhum demérito em philéo, referindo-se sempre, à semelhança de agapáo, ao amor genuíno: “Se alguém não ama o Senhor, seja anátema!” (1Co 16:22); “Eu repreendo e castigo a todos quantos amo...” (Ap 3:19).


CONSIDERAÇÕES FINAIS

Assim sendo, parece-nos melhor considerar os dois verbos como sinônimos quando se referem ao amor. Verdade é que philéo admite a possibilidade de ser traduzido como "gostar", mas nesse caso geralmente está acompanhado do infinitivo. A diferença estaria apenas no sentido de "beijar" que philéo também expressa.

Finalmente, creio ser de bom alvitre que recordemos que Jesus e Pedro não conversavam, originalmente em grego, mas em aramaico, onde a distinção entre os dois termos, simplesmente inexiste!