Olá, irmãos e amigos,
Graça e paz!
Depois de um LONGO período sem publicações, resolvi voltar a publicar neste pequeno e humilde blog.
A partir de amanhã, permitindo o Senhor, estaremos disponibilizando aqui algumas de nossos estudos, de nossas análises e, por que não dizer, de nossas ideias.
Obrigado a você, que costuma ler nossas publicações!
Deus abençoe sua vida rica e abundantemente!!!
Espaço para compartilhamento de ideias, conceitos, elucubrações e reflexões do Pr. Lázaro Soares de Assis
terça-feira, 28 de abril de 2015
sábado, 29 de junho de 2013
CRISTO TRIUNFANTE PELA
CRUZ
Texto Bíblico básico: Cl 2:6-15
INTRODUÇÃO
O capítulo segundo da Carta de Paulo
aos cristãos de Colossos dá início à argumentação do apóstolo contra as
heresias que lhe deram origem. Assim é que, depois de adverti-los para que não
se deixassem levar pelo engano de raciocínios falazes (ou "palavras
persuasivas", cf. Cl 2:4) e aludir à verificação da boa ordem e firmeza da
fé em Cristo demonstrada pelos colossenses (cf. Cl 2:5), apresenta os
argumentos em contestação às heresias do judaísmo-gnosticismo. Vejamos,
portanto, alguns aspectos fundamentais apresentados no texto em questão.
Nos versículos seis e sete Paulo
apresenta a atitude mental que evita a queda de um cristão no erro. Segundo o
apóstolo, esta atitude está baseada de forma principal e especial no triunfo de
Cristo na Cruz. Vejamos, então, os principais aspectos trazidos por esta
vitória do Senhor.
1. ANDAI EM ESPÍRITO
Como os cristãos gálatas (cf. Gl
3:1-5), alguns dos cristãos colossenses estavam enamorados de certas especulações
filosófico-religiosas (cf. Cl 1:16; 2:8, 16-23). Assim sendo, Paulo não
expressa aqui dúvida sobre a salvação deles; mostra-lhes, no entanto, a
necessidade de continuarem nEle (cf. Cl 1:21-22).
Desde que Jesus Cristo é preeminente
sobre tudo, a Imagem de Deus, O Criador de tudo, não deveria haver o mínimo
desejo que fosse de se procurar outros mediadores. Se foi necessária a Pessoa
dEle para libertá-los da perdição eterna, Ele também é necessário para guiar e
dirigir o cristão nas escolhas diárias que a vida lhe impõe (cf. Jo 6:39: Rm
8:35-39). Por isso, somos ordenados de forma enfática a andar nEle. O verbo andar que aparece aqui, na língua grega, é peripate,w
peripatéo, cujas principais acepções são:
"caminhar", "fazer o próprio caminho", ainda, "progredir",
"fazer uso das oportunidades", "viver", "regular a
própria vida".
Aliás, é bom que nos lembremos aqui
da recomendação do salmista: o varão bem-aventurado, ditoso, feliz, é aquele
"... que não anda segundo o conselho dos ímpios..." (Sl 1:1, na ARC).
Ou seja, o homem feliz é aquele que pauta sua vida em conformidade com o Senhor
e não segundo o mundo e seus conceitos e valores. Isto fica ainda mais claro em
textos como Cl 2:8: "Tenham cuidado para que ninguém os torne escravos por
meio de argumentos sem valor, que vêm da
sabedoria humana. Essas coisas vêm
dos ensinamentos de criaturas humanas e dos espíritos que dominam o
Universo e não de Cristo." (NTLH, com grifos nossos). Ainda Rm 12:2:
"Não vivam como vivem as pessoas deste mundo, mas deixem que Deus os
transforme por meio de uma completa mudança da mente de vocês. Assim vocês
conhecerão a vontade de Deus, isto é, aquilo que é bom, perfeito e agradável a
Ele." (NTLH).
2. RADICADOS EM CRISTO
Outro verbete-chave neste texto de
Colossenses é o verbo "radicar" (no grego, r`izo,w
rhizóo, "fazer surgir raiz",
"fortalecer com raízes", "tornar firme", "fixar",
"estabelecer". Esse verbo é usado para uma pessoa ou coisa que esteja
totalmente fundamentada. Como uma árvore firmemente enraizada, firmada, fincada).
Radicar, é bom que lembremos, é enraizar, fincar, arraigar!
Esta realidade é muitíssimo
importante numa vida cristã debaixo da direção do Senhor, pois uma árvore deve
crescer para dentro da terra antes de subir. Ou seja, deve haver um firme
fundamento e contínua fonte de vida. Mais uma vez queremos trazer à memória
esta maravilhosa verdade expressa pelo salmista. Ele diz que o homem feliz,
bem-aventurado é "... como a árvore plantada junto a ribeiros de águas, a
qual dá o seu fruto na estação própria, e cujas folhas não caem, e tudo quanto
fizer prosperará." (Sl 1:3, na ARC).
Portanto, "radicados" ou
"arraigados", significa ter raízes profundas em Cristo, o que dará
firmeza constante à vida cristã.
3. EDIFICADOS EM
CRISTO
Outro verbo que aparece em Cl 2:7
"edificar" (no grego, o verbo é evpoikodome,w epoikodoméo, "edificar sobre",
formado da preposição evpi, epí, "sobre",
"acima", "em cima" e oivkodome,w oikodoméo, "edificar",
"construir uma casa", "estabelecer", "fundar".
Este verbo está relacionado com o
verbo anterior e descreve a situação conseqüente da que por ele é descrita. A edificação em Cristo torna-se notória
quando bem radicados em Cristo.
O salmista também
descreve esse aspecto da vida cristã quando afirma que o homem bem-aventurado,
ditoso, feliz, é aquele que “... dá o seu fruto na estação própria, e cujas
folhas não caem... " (Sl 1:3, na ARC).
4. CONFIRMADOS NA FÉ
EM CRISTO
O resultado natural do comportamento
do cristão nos termos dos itens anteriores é a manifestação da sua fé inabalável
e firmada de uma vez por todas; a conduta baseada nela evolui constantemente.
Para fazer alusão a esse estágio, Paulo usa o verbo bebaio,w
bebaióo, cujas principais acepções são:
"comprovar", "estabelecer", "confirmar" e
"assegurar". Isto significa que uma vida cristã bem sucedida é aquela
que está firmada, ou melhor, confirmada, assegurada, estabelecida em Cristo Jesus !
A exemplo das características
anteriores, o salmista também descreve esse aspecto da vida cristã, quando
informa que o homem ditoso e bem-sucedido tem como marca o fato de que “...
tudo quanto ele faz será bem sucedido” (Salmo 1:3, na ARA).
5. INSTRUÍDOS EM
CRISTO
Não há dúvida que a instrução no
Senhor é essencial para essa vitoriosa experiência cristã. Muitos desvios da
verdade (heresia ou apostasia) resultam da falha nesse item. Paulo mostra a
importância da instrução do Senhor para não sermos enganados com raciocínios
falazes. Ele diz: "... assim como fostes ensinados, crescendo em ação de
graças." (Cl 2:7).
Neste verso encontramos o verbo dida,skw
didásko, "ensinar",
"instruir", "explicar", "expor", cuja forma
verbal ocorre como evdida,cqhte edidáchthete, portanto na voz passiva, ou seja,
"ser ensinado", "ser instruído". Isto significa que para
uma vida cristã bem sucedida é necessário que permaneçamos firmados naquilo que
fomos ensinados.
Também a este respeito nos legou o
salmista informação preciosa. Ele diz que essa era a atitude do homem feliz:
“Antes o seu prazer está na Lei do Senhor e na Sua Lei medita de dia e de noite”
(Sl 1:2).
CONCLUSÃO
Essas cinco coisas ou cinco atitudes
ou cinco verdades são suficientes para nos guardar da tentação de nos
afastarmos do Evangelho e levam-nos ao crescimento “em ações de graças” (cf. Cl
2:7).
quinta-feira, 18 de abril de 2013
VIVENDO DEBAIXO DA
DIREÇÃO DE DEUS
Texto Bíblico básico: Cl 1:3-12
INTRODUÇÃO
No presente estudo, estaremos adentrando de forma
prática no conteúdo maravilhoso da Carta aos Colossenses. Neste primeiro
momento, nossa atenção estará focada na vida debaixo da direção de Deus,
assunto que o apóstolo Paulo desenvolve de forma ampla no longo texto que vai
do verso três ao verso vinte e nove do primeiro capítulo.
Neste
texto, movido pelo Espírito Santo, Paulo demonstra que para se viver debaixo de
graça de Deus é preciso certa preparação. Ele nos mostra que esta
preparação consiste em certos elementos que precisam ser observados, sob pena
de não se viver efetivamente debaixo da graça de Deus!
1. COMPREENDENDO OS NÍVEIS DA VIDA CRISTÃ
Nos versos
três a doze do primeiro capítulo de Colossenses, Paulo revela-nos, segundo a
direção do Espírito, que a compreensão da vida cristã se desenvolve em dois
níveis ou áreas de conhecimento.
Para se
viver debaixo da direção de Deus, é necessário, em primeiro lugar, conhecer a graça
de Deus. Em que consiste esse conhecimento? Como esse conhecimento se
manifesta? Como ele ocorre? O que ele produz? Quais são suas exigências? Paulo
nos apresenta estas respostas no texto que vai do verso três ao verso de número
oito do primeiro capítulo de Colossenses.
Em segundo
lugar, para se viver debaixo da direção de Deus é preciso conhecer a
Sua vontade. No entanto, como esse conhecimento da vontade de Deus é
alcançado? Qual o papel do Espírito Santo nesse conhecimento? O que ele nos
proporciona? Para quê o conhecimento da vontade de Deus nos habilita? Como
podemos ser fortalecidos para suportarmos as provações com paciência, a fim de
vivermos debaixo da direção de Deus? Estas e outras questões nos são
respondidas por Paulo, segundo o mover do Espírito, nos versos nove a doze do
primeiro capítulo de sua Carta à Igreja em Colossos.
Assim
sendo, vejamos, então, em que consistem estes conhecimentos e de que forma
podemos encontrar as respostas às intrigantes perguntas sugeridas nesta parte
introdutória.
a) O conhecimento da graça de Deus (versos 3-8).
Este é o
primeiro nível ou primeira área de conhecimento para que se possa viver debaixo
da direção de Deus: o conhecimento da graça de Deus,
Mas, o que
é conhecer a graça de Deus? Este é o tema desenvolvido nos versos três a oito.
Neste texto, Paulo nos mostra de que forma o conhecimento da graça de Deus
ocorre na vida do cristão. Segundo ele, esse conhecimento ocorre na medida em
que desenvolvemos a fé em Jesus e o amor ao Senhor. Vejamos o que ele
diz: "Damos sempre
graças a Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, quando oramos por vós, desde
que ouvimos da vossa fé em
Cristo Jesus e do amor
que tendes para com todos os santos." (Cl 1:3-4, na ARA, com grifos
nossos). Assim, em conformidade com o ensino de Paulo, o conhecimento da graça
de Deus se manifesta por meio da fé no Senhor e do amor a Deus e aos irmãos.
Paulo amplia nossa visão,
demonstrando que este conhecimento
ocorre na medida em que a verdadeira e esperançosa mensagem do Evangelho é
acolhida no coração daquele que a ouve. É o que nos é apresentado no verso
cinco: "Por causa da esperança que vos está reservada nos céus, da
qual já, antes, ouvistes pela Palavra da Verdade do Evangelho." (Cl 1:5,
na ARC).
Outra
verdade que podemos encontrar neste texto da Carta aos Colossenses é aquela que
nos revela que além de trazer muitas bênçãos para o cristão, o conhecimento da
graça de Deus o impulsiona a compartilhar a mensagem de salvação aos perdidos:
"Que já chegou a
vós, como também está em todo o mundo; e já
vai frutificando, como também entre vós, desde o dia em que ouvistes e conhecestes a graça de Deus
em Verdade." (Cl 1:6, na ARC, com grifos nossos). Portanto, aumenta à medida que compartilhamos!
Ademais,
ao ser transmitido a outros, este conhecimento da graça de Deus traz consigo
uma exigência fundamental: a fidelidade a Jesus Cristo por parte de quem O
anuncia. Vejamos as palavras do apóstolo: "Segundo aprendestes de Epafras, nosso amado conservo,
que é por vós fiel ministro de
Cristo, o qual também nos declarou o vosso amor no Espírito." (Cl 1:7-8,
na TB, com grifos nossos).
b) O conhecimento da vontade de Deus (9-12).
Tendo
visto de que forma podemos conhecer a graça de Deus, vejamos, agora, a
exposição paulina acerca da vontade de Deus.
Em
primeiro lugar, como o conhecimento da vontade de Deus pode ser alcançado?
Paulo nos mostra que a vontade de Deus somente pode ser conhecida através da
sabedoria e compreensão que o Espírito Santo nos dá: "Por esse motivo, desde o dia em que
ficamos sabendo de tudo isso, nunca paramos de orar em favor de vocês. Pedimos
a Deus que encha vocês com o conhecimento da Sua vontade e com toda
a sabedoria e compreensão que o Espírito de Deus dá." (Cl 1:9, na NTLH, com grifos nossos). Ou
seja, a vontade de Deus não é simplesmente aquilo que eu penso, mas
aquilo que Deus pensa e que nos é revelado por Seu Espírito!
Além
disto, Paulo nos revela, ainda, que esse conhecimento nos proporciona a
possibilidade de vivermos de acordo com os propósitos divinos e dessa forma
conseguiremos agradá-lO: "A fim de viverdes de
modo digno do Senhor, para o Seu
inteiro agrado." (Cl 1:10a. na
ARA, com grifos nossos). Isto significa que somente conhecendo a vontade do
Senhor por meio de Seu Espírito é que teremos condições de viver para
agradá-lO!
Paulo nos
mostra também que o conhecimento da vontade de Deus nos habilita a fazermos
todo tipo de boas ações e elas nos ajudarão a conhecer cada vez mais o Senhor.
Veja a declaração expressa na parte "b" de Cl 1:10: "Vocês vão fazer todo tipo de
boas ações e também vão conhecer a Deus cada vez mais." (NTLH).
Outra
verdade presente no texto que estamos analisando é aquele contido no décimo
primeiro versículo, no qual somos ensinados que o conhecimento da vontade de
Deus e a intercessão nos fortalecem e nos capacitam a suportar as provações com
paciência: "Sendo fortalecidos com toda a força, segundo o poder
da Sua glória, em toda a fortaleza e longanimidade." (Cl 1:11, na TB, com grifos nossos).
Finalmente,
o apóstolo Paulo nos mostra que o fortalecimento que provém de Deus nos conduz
à gratidão ao Senhor que nos fez Seus herdeiros: "E agradeçam, com alegria,
ao Pai, que os tornou capazes de participar daquilo que ele guardou no Reino da
luz para o Seu povo." (Cl 1:12, na NTLH, com grifos nossos).
CONCLUSÃO
Uma vida debaixo da direção de Deus é tudo aquilo que
existe de mais especial e singular. Essa direção nos capacita a conhecer a
vontade de Deus e, sobretudo, a realizar essa vontade no nosso dia-a-dia.
Quantos
problemas poderiam ser evitados e quantas dores poderiam ser poupadas se nos
dispuséssemos sempre a compreender que Deus tem para nossas vidas um plano
especial que está diretamente associado com Sua vontade que é boa, perfeita e
agradável (cf. Rm 12:2).
segunda-feira, 1 de abril de 2013
BATISMO
COM FOGO?!
1.
INTRODUÇÃO
Vamos iniciar nosso estudo, analisando o
famoso (e controvertido) texto de Mateus onde encontramos João, o Batista, declarando algo que ainda em nossos dias
ressoa pelos ares e ecoam nos corações:
Yo, a la verdad, os bautizo en
agua para arrepentimiento;
pero el que viene después de mí,
cuyo calzado no soy digno de llevar,
es más poderoso que yo.
El os bautizará en el Espíritu
Santo y fuego.
(Mateus
3:11, na Versão Reina-Valera)
"Eu
vos batizo com água, para arrependimento;
mas
aquele que vem depois de mim é mais poderoso do que eu,
cujas
sandálias não sou digno de levar.
Ele
vos batizará com o Espírito Santo e com fogo."
(Mateus
3:11, na ARA)
"E
eu, em verdade, vos batizo com água, para o arrependimento;
mas
aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu;
não
sou digno de levar as suas sandálias;
ele
vos batizará com o Espírito Santo e com fogo."
(Mateus
3:11, na ARC)
2. CONSIDERAÇÕES INICIAIS
No
texto de Mateus 3:11, que ora pretendemos analisar, existem verdades
subjacentes que jamais deveríamos olvidar.
Por
este motivo, no presente trabalho pretendemos investigar o texto em questão,
com o propósito de entendermos melhor e corretamente o seu sentido.
Observemos,
inicialmente, que a declaração de João, o Batista, está diretamente envolvida
com o verbo grego baptizo. Este verbo aparece 76
vezes nas páginas no NT. Seus significados básicos são: "imergir
repetidamente"; "imergir, para submergir (de recipientes
afundados)"; "limpar imergindo ou submergindo"; "lavar,
para tornar limpo com água", entre outros.
No
grego clássico, o exemplo mais claro que demonstra o significado de baptizo
é um texto do poeta e médico grego Nicander que viveu em aproximadamente 200 a .C. Trata-se de uma
receita para se fazer pepinos em conserva. Nicander ensina que para fazer um
pepino em conserva, deveria o legume ser imerso (baptos) em
água fervente e em seguida mergulhado (baptizo) na solução
de vinagre. Ambos os verbos (baptos e baptizo) nos interessam.
Mas, observemos que enquanto o primeiro oferece-nos a idéia de um ato temporário,
o segundo produz uma mudança permanente. Ou seja, a diferença básica
entre eles é a que diz respeito à intensidade.
Quando usado no
NT, a palavra baptizo recorre com muito mais
freqüência à nossa união e identificação com
Cristo (e.g. Mc 16:16). Ou seja, segundo Cristo, o mero consentimento
intelectual não é suficiente para a salvação.
É necessário que haja uma união com Ele, uma real mudança, como o legume
para o pepino em conserva!
3. BATISMO COM FOGO?
Ele vos batizará com o Espírito Santo, e com
fogo.
O que, realmente, significa esta
assertiva?
Com toda certeza, ao longo da história da
Igreja, esta frase tem sido alvo de acirrados debates.
Para alguns, João estava se referindo aos
terríveis julgamentos que deveriam ser infringidos por Jesus à nação judaica,
quando Ele os deveria reprovar pelo pecado de O terem rejeitado. Os que assim
argumentam, o fazem baseados em dois textos do AT: "E sairão e verão os corpos mortos dos homens que
prevaricaram contra mim; porque o seu verme nunca morrerá, nem o seu fogo se
apagará; e serão um horror para toda a carne" (Is 66:24, na ARA) e Ml 3:2,3, na mesma versão: "Mas quem suportará o dia da sua vinda? E quem subsistirá,
quando ele aparecer? Porque ele será como o fogo do ourives e como o sabão dos
lavandeiros. Assentar-se-á como derretedor e purificador de prata; purificará
os filhos de Levi e os refinará como ouro e como prata; eles trarão ao Senhor
justas ofertas".
No entanto, a interpretação mais
plausível para a declaração ora analisada, sem dúvida alguma, é aquela que
estabelece o relacionamento entre o que João declara aqui e o cumprimento desta
declaração no Pentecostes. No texto inspirado, encontramos a declaração: "Cumprindo-se
o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar; e, de repente,
veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, e encheu toda a casa
em que estavam assentados. E foram vistas por eles línguas repartidas, como
que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles. E todos foram cheios do
Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito
Santo lhes concedia que falassem". (At 2:1-4, na ARC).
É importante salientarmos, que das 421
ocorrências de “fogo” (versão ARC) nas páginas das Escrituras Sagradas, a
maioria delas vincula o fogo como sinal visível da presença e do poder de Deus,
embora, de fato, segundo a linguagem bíblica, o fogo também esteja associado á
purificação (e.g. Mc 9:49).
No entanto, nas páginas do NT, o Espírito
Santo está intimamente associado à idéia de fogo, como fica claramente
demonstrado no texto de Atos 2, onde Lucas narra o episódio do Pentecostes.
Assim, podemos concluir que João, o
Batista, ao referir-se ao batismo “com fogo”, sem dúvida alguma estava se
referindo, inspirado pelo mesmo Espírito, àquela experiência poderosa,
tremenda, transformadora, impulsionadora que ocorre na vida daquele que permite
que o Espírito Santo o encha sem medida (cf. Jo 3:34). Existe aqui uma clara
distinção entre ser batizado com o “Espírito Santo” e ser batizado
também “com fogo”. Prova indubitável desta verdade, é que no texto grego de
Mt 3:11 aparece a conjunção grega kai, que não significa apenas
“e", mas que pode significar "também",
"até mesmo", entre outros.
Portanto, este “batismo" pode ser definido como uma imersão
profunda e tremenda na imensurável graça de Deus e no poder de Seu
Espírito, que nos capacita a viver acima do trivial, que nos outorga poder
extraordinário para testemunhar (cf. a expressão grega parresia, "coragem", "confiança", "ousadia"). É, por assim
dizer, a concretização do vaticínio profético de Ezequiel:
"Depois
disso, me fez voltar à entrada da casa,
e
eis que saíam umas águas de debaixo do umbral da casa,
para o oriente; porque a face da casa olhava
para o oriente,
e
as águas vinham de baixo, desde a banda direita da casa,
da
banda do sul do altar. E ele me tirou pelo caminho da porta
do
norte e me fez dar uma volta pelo caminho de fora, até a porta exterior, pelo
caminho que olha para o oriente;
e
eis que corriam umas águas desde a banda direita.
Saiu
aquele homem para o oriente, tendo na mão um cordel de medir; e mediu mil
côvados e me fez passar pelas águas,
águas
que me davam pelos tornozelos.
E
mediu mais mil e me fez passar pelas águas,
águas
que me davam pelos joelhos;
e
mediu mais mil e me fez passar pelas águas,
águas
que me davam pelos lombos.
E mediu mais mil e era um ribeiro, que eu
não podia atravessar, porque as águas eram profundas,
águas que se deviam passar a
nado..." (Ez 47:1-5).
Ao
lermos o texto de At 2, podemos perceber, claramente, que na vida dos que
estavam reunidos no cenáculo esta promessa cumpriu-se de forma maravilhosa: foram
mergulhados no poder do Espírito de forma tão intensa que a reação de
alguns dos que acorreram ao lugar em que estavam, foi a de concluírem
imediatamente tratar-se de embriaguez, haja vista a "inundação" que
invadira aqueles tímidos crentes agora revestidos de poder (cf. At 2:12-15)!
Resta-nos, finalmente, a recomendação de
Paulo aos crentes de Éfeso: "E não vos embriagueis com
vinho, em que há contenda, mas enchei-vos do Espírito". (Ef 5:18).
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
A Glória da Segunda Casa
A GLÓRIA DA SEGUNDA CASA
Texto
Bíblico Básico: Ageu 2:9
1. Pontos Salientes:
-
Ageu (heb. Hagai), significa “Minha Festa”ou “Festivo”.
-
O Livro foi escrito em 520 a.C.
-
Ageu é o primeiro profeta pós-exílico; o 10º dos Profetas Menores.
-
Um subsídio cronológico para o Livro de Ageu:
- 586 a.C. – destruição
do Templo;
- 538 a.C. – ordem de
retorno e reconstrução (Ciro);
- 536 a.C. – início da
reconstrução;
- 530 a.C. – a
reconstrução é interrompida;
- 520 a.C. – composição
do Livro de Ageu;
- 516 a.C. – retomada da
reconstrução.
-
O Livro revela os perigos de uma perda de foco.
-
Tem como grande objetivo a fixação (ou retomada) de prioridades.
-
Ageu é o livro melhor datado do AT.
-
O verbete “glória” (heb. kavod) aparece 65 vezes em Ageu.
2. Pontos Para Reflexão:
a)
Em Ex 25:8, encontramos a ordem divina para a construção do Tabernáculo.
O grande propósito de Deus era (e é) habitar no meio dos homens, ser o centro
de nossa Historia e de nossas vidas.
b)
O NT revela que o Templo apontava profeticamente para o Corpo de Jesus
(cf. Jo 2:19,21).
c)
Jesus é maior que o Templo (Mt 12:6).
d)
Eis o Templo! (Ap 21:3).
sábado, 8 de dezembro de 2012
Dar Asas ou Criar Raízes?
Talvez um dos maiores desafios da paternidade (e por óbvio, da maternidade!) seja o equilíbrio entre uma educação recheada de afeto e permeada por limites. Ou seja, o que é mais importante: dar asas ou criar raízes?
Sabidamente, educar não é tarefa das mais fáceis. Afinal, nenhuma criança vem com manual de instruções, com uma receita pronta. E mais: na maioria das vezes nossas possibilidades como pais (e mães) são as nossas próprias bagagens como filhos...
No entanto, a Palavra de Deus nos apresenta alguns princípios que, com absoluta certeza, serão instrumentos poderosos para que nos saiamos bem nessa tarefa de tamanho desafio.
Para esta nossa abordagem, três palavras precisam ser analisadas: educar, afeto e limite. Vamos a elas!
1. Educar. No hebraico, temos o verbo hanak, cujas principais acepções são: "instruir", "exercitar", "treinar". É a palavra que aparece em Pv 22:5. No grego, seu equivalente é didáscho. Interessante notar que o verbo grego didáscho está associado com um "mestre" e seu "discípulo". Enquanto o "aluno" (sem dúvida, um termo pejorativo) aprende como aquilo que seu "professor" fala, um "discípulo" aprende com a vida de seu "mestre". Por mais incômodo que seja, precisamos manter em mente que nossos filhos aprendem muito mais com aquilo que fazemos do que com aquilo que falamos!
2. Afeto. A palavra ocorre na língua grega como splángnon, significando, basicamente "amor", "carinho", "afeição", "cuidado", mas principalmente "suporte". Trata-se, portanto, de um sentimento prático de apoio, de suporte. Não necessariamente aprovação descompromissada, mas apoio interessado. Um sentimento que se manifesta de maneira concreta quando dizemos "sim", mas que pode se revelar quando dizemos "não" ou "agora não"!
3. Limite. Essa palavra é chave para a busca do equilíbrio entre asas e raízes. Na língua grega, aparece como horothesía, ou seja "fixação (dos limites) da terra". Isto é, uma "fixação dos marcos divisórios". Educar é também fixar limites. Sem dúvida, que sejam limites baseados no amor, mas que não sejam ausentes sob o pretenso amor que tudo permite. Como alguém bem disse: "educar nos limites não significa criar pessoas limitadas, e sim pessoas estruturadas".
Que o Senhor manifeste sobre nós Sua graça e misericórdia, a fim de que alcancemos o equilíbrio. Que possamos dar asas a nossos filhos; asas que lhes permitam alçar vôos de conquistas e realizações, mas que, sobretudo sejam vinculadas às raízes que lhes ensinarmos a construir. Raízes que estejam firmadas, sobretudo, na Raiz de Davi, o Filho Eterno de Deus, Jesus Cristo, o obediente filho de José e de Maria!
quarta-feira, 11 de julho de 2012
PHILÉO OU AGAPÁO?
UMA ANÁLISE DE JO 21:15-17
INTRODUÇÃO
O diálogo de Jesus com Pedro descrito no vigésimo primeiro capítulo de João tem sido alvo de dúvidas e questionamentos, principalmente no que tange à utilização ou não de termos originais distintos para diferenciar o amor, a que Jesus Se referiu ao questionar Pedro. Para melhor aproveitamento deste nosso estudo, vamos analisar o texto em duas versões, a ACF, de 1753 e a KJV, de 1611.
Jo 21:15-17, na ACF (com grifos nossos): 15 E, depois de terem jantado, disse Jesus a Simão Pedro: Simão, filho de Jonas, amas-me mais do que estes? E ele respondeu: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe: Apascenta os meus cordeiros. 16 Tornou a dizer-lhe segunda vez: Simão, filho de Jonas, amas-me? Disse-lhe: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe: Apascenta as minhas ovelhas. 17 Disse-lhe terceira vez: Simão, filho de Jonas, amas-me? Simão entristeceu-se por lhe ter dito terceira vez: Amas-me? E disse-lhe: Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que eu te amo. Jesus disse-lhe: Apascenta as minhas ovelhas.
Jo 21:15-17, na KJV (grifos nossos): 15 So when they had dined, Jesus saith to Simon Peter, Simon, son of Jonas, lovest thou me more than these? He saith unto him, Yea, Lord; thou knowest that I love thee. He saith unto him, Feed my lambs. 16 He saith to him again the second time, Simon, son of Jonas, lovest thou me? He saith unto him, Yea, Lord; thou knowest that I love thee. He saith unto him, Feed my sheep. 17 He saith unto him the third time, Simon, son of Jonas, lovest thou me? Peter was grieved because he said unto him the third time, Lovest thou me? And he said unto him, Lord, thou knowest all things; thou knowest that I love thee. Jesus saith unto him, Feed my sheep.
PRELIMINARES
Como podemos observar, tanto a versão de João Ferreira de Almeida como a King James Version não fizeram qualquer distinção entre os verbos gregos. No entanto, ao analisarmos os mesmos no original grego do NT, observamos que nas duas primeiras vezes que Jesus pergunta a Pedro: “Amas-me?”, o grego traz agapas me, enquanto que as respostas de Pedro, desde a primeira pergunta, foram philo se. No entanto, quando Jesus pergunta pela terceira vez, “Amas-me?”, encontramos no original grego a ocorrência de philei me, ao que Pedro responde philo se. Desta forma, muita conjectura tem surgido em torno desta situação, gerando inúmeras controvérsias, principalmente pelo fato de que, se por um lado agapas, do verbo agapáo, tenha a conotação de “amor profundo”, “amar ternamente”; phileis, do verbo philéo tem o sentido de “ter simpatia”, “gostar”. No entanto, munindo-nos de uma boa concordância de grego, poderemos observar que os verbos philéo e agapáo são usados como sinônimos nas páginas do Novo Testamento grego. Portanto, a questão se há alguma diferença entre agapáo e philéo no Novo Testamento poderá ser resolvida analisando-se, por exemplo, o Quarto Evangelho, pois para João, parece que não havia qualquer diferença entre estes verbos. Basta notar que agapáo ocorre 37 vezes em João: “Deus amou o mundo de tal maneira” (Jo 3:16); “Jesus amava Marta, a irmã dela e Lázaro” (Jo 11:5); “Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros. Como Eu vos amei, amai-vos também uns aos outros” (Jo 13:34). Nota-se, pois, que o uso de agapáo reflete o amor de Deus pelo mundo, o amor de Jesus por Lázaro e suas irmãs, o amor de Jesus pelos discípulos e o amor que devemos ter uns para com os outros. Entretanto, de igual modo philéo é usado por João: “O Pai ama o Filho” (Jo 5:20); “Senhor, aquele a quem amas está doente” (Jo 11:3); “pois o próprio Pai vos ama porque Me amastes” (Jo 16:27); “outro discípulo, que Jesus amava” (Jo 20:2). Além disto, no restante do Novo Testamento agapáo é normalmente traduzido como "amar". Philéo algumas vezes é traduzido como "gostar" (de fazer algo) – cf. Mt 6:5; 23:6; Lc 20:46. O uso esquecido de philéo é aquele visto em Mt 26:48, Mc 14:44 e Lc 22:47. Nesses textos philéo significa "beijar". As três ocorrências se referem ao beijo de Judas em Cristo. No mais, não há nenhum demérito em philéo, referindo-se sempre, à semelhança de agapáo, ao amor genuíno: “Se alguém não ama o Senhor, seja anátema!” (1Co 16:22); “Eu repreendo e castigo a todos quantos amo...” (Ap 3:19).
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Assim sendo, parece-nos melhor considerar os dois verbos como sinônimos quando se referem ao amor. Verdade é que philéo admite a possibilidade de ser traduzido como "gostar", mas nesse caso geralmente está acompanhado do infinitivo. A diferença estaria apenas no sentido de "beijar" que philéo também expressa.
Finalmente, creio ser de bom alvitre que recordemos que Jesus e Pedro não conversavam, originalmente em grego, mas em aramaico, onde a distinção entre os dois termos, simplesmente inexiste!
UMA ANÁLISE DE JO 21:15-17
INTRODUÇÃO
O diálogo de Jesus com Pedro descrito no vigésimo primeiro capítulo de João tem sido alvo de dúvidas e questionamentos, principalmente no que tange à utilização ou não de termos originais distintos para diferenciar o amor, a que Jesus Se referiu ao questionar Pedro. Para melhor aproveitamento deste nosso estudo, vamos analisar o texto em duas versões, a ACF, de 1753 e a KJV, de 1611.
Jo 21:15-17, na ACF (com grifos nossos): 15 E, depois de terem jantado, disse Jesus a Simão Pedro: Simão, filho de Jonas, amas-me mais do que estes? E ele respondeu: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe: Apascenta os meus cordeiros. 16 Tornou a dizer-lhe segunda vez: Simão, filho de Jonas, amas-me? Disse-lhe: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe: Apascenta as minhas ovelhas. 17 Disse-lhe terceira vez: Simão, filho de Jonas, amas-me? Simão entristeceu-se por lhe ter dito terceira vez: Amas-me? E disse-lhe: Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que eu te amo. Jesus disse-lhe: Apascenta as minhas ovelhas.
Jo 21:15-17, na KJV (grifos nossos): 15 So when they had dined, Jesus saith to Simon Peter, Simon, son of Jonas, lovest thou me more than these? He saith unto him, Yea, Lord; thou knowest that I love thee. He saith unto him, Feed my lambs. 16 He saith to him again the second time, Simon, son of Jonas, lovest thou me? He saith unto him, Yea, Lord; thou knowest that I love thee. He saith unto him, Feed my sheep. 17 He saith unto him the third time, Simon, son of Jonas, lovest thou me? Peter was grieved because he said unto him the third time, Lovest thou me? And he said unto him, Lord, thou knowest all things; thou knowest that I love thee. Jesus saith unto him, Feed my sheep.
PRELIMINARES
Como podemos observar, tanto a versão de João Ferreira de Almeida como a King James Version não fizeram qualquer distinção entre os verbos gregos. No entanto, ao analisarmos os mesmos no original grego do NT, observamos que nas duas primeiras vezes que Jesus pergunta a Pedro: “Amas-me?”, o grego traz agapas me, enquanto que as respostas de Pedro, desde a primeira pergunta, foram philo se. No entanto, quando Jesus pergunta pela terceira vez, “Amas-me?”, encontramos no original grego a ocorrência de philei me, ao que Pedro responde philo se. Desta forma, muita conjectura tem surgido em torno desta situação, gerando inúmeras controvérsias, principalmente pelo fato de que, se por um lado agapas, do verbo agapáo, tenha a conotação de “amor profundo”, “amar ternamente”; phileis, do verbo philéo tem o sentido de “ter simpatia”, “gostar”. No entanto, munindo-nos de uma boa concordância de grego, poderemos observar que os verbos philéo e agapáo são usados como sinônimos nas páginas do Novo Testamento grego. Portanto, a questão se há alguma diferença entre agapáo e philéo no Novo Testamento poderá ser resolvida analisando-se, por exemplo, o Quarto Evangelho, pois para João, parece que não havia qualquer diferença entre estes verbos. Basta notar que agapáo ocorre 37 vezes em João: “Deus amou o mundo de tal maneira” (Jo 3:16); “Jesus amava Marta, a irmã dela e Lázaro” (Jo 11:5); “Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros. Como Eu vos amei, amai-vos também uns aos outros” (Jo 13:34). Nota-se, pois, que o uso de agapáo reflete o amor de Deus pelo mundo, o amor de Jesus por Lázaro e suas irmãs, o amor de Jesus pelos discípulos e o amor que devemos ter uns para com os outros. Entretanto, de igual modo philéo é usado por João: “O Pai ama o Filho” (Jo 5:20); “Senhor, aquele a quem amas está doente” (Jo 11:3); “pois o próprio Pai vos ama porque Me amastes” (Jo 16:27); “outro discípulo, que Jesus amava” (Jo 20:2). Além disto, no restante do Novo Testamento agapáo é normalmente traduzido como "amar". Philéo algumas vezes é traduzido como "gostar" (de fazer algo) – cf. Mt 6:5; 23:6; Lc 20:46. O uso esquecido de philéo é aquele visto em Mt 26:48, Mc 14:44 e Lc 22:47. Nesses textos philéo significa "beijar". As três ocorrências se referem ao beijo de Judas em Cristo. No mais, não há nenhum demérito em philéo, referindo-se sempre, à semelhança de agapáo, ao amor genuíno: “Se alguém não ama o Senhor, seja anátema!” (1Co 16:22); “Eu repreendo e castigo a todos quantos amo...” (Ap 3:19).
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Assim sendo, parece-nos melhor considerar os dois verbos como sinônimos quando se referem ao amor. Verdade é que philéo admite a possibilidade de ser traduzido como "gostar", mas nesse caso geralmente está acompanhado do infinitivo. A diferença estaria apenas no sentido de "beijar" que philéo também expressa.
Finalmente, creio ser de bom alvitre que recordemos que Jesus e Pedro não conversavam, originalmente em grego, mas em aramaico, onde a distinção entre os dois termos, simplesmente inexiste!
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